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	<title>As Vinhas da Ira</title>
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	<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 16:12:10 +0000</pubDate>
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		<title>QUE GRANDE CONGRESSO! QUE GRANDE PARTIDO!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 16:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Editorial do Avante!
No conjunto dos cerca de 1500 delegados que constituíam o XVIII Congresso, o mais velho tinha 93 anos e o mais novo, 16.
Entre um e outro, nasceram, cresceram, viveram, lutaram sucessivas gerações de comunistas, de homens, mulheres, jovens que, ao longo de décadas, cada um à sua maneira e todos integrando «o nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong><span style="font-size:medium;">Editorial do <a href="http://www.avante.pt">Avante!</a></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:medium;">N</span></strong>o conjunto dos cerca de 1500 delegados que constituíam o XVIII Congresso, o mais velho tinha 93 anos e o mais novo, 16.<br />
Entre um e outro, nasceram, cresceram, viveram, lutaram sucessivas gerações de comunistas, de homens, mulheres, jovens que, ao longo de décadas, cada um à sua maneira e todos integrando «o nosso grande colectivo partidário», fizeram do Partido Comunista Português o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, o Partido da esperança e do futuro socialista para o nosso País.<br />
Entre um e outro, nasceu, cresceu, viveu, lutou o Partido que ali estava, reunido em Congresso, no Espaço Multi-usos do Campo Pequeno, um Partido justamente orgulhoso da sua história e de todos os seus construtores ao longo dos tempos – e daquele que foi, indubitavelmente, o maior, o mais relevante, o mais destacado desses construtores: o camarada Álvaro Cunhal.<br />
Na verdade, o XVIII Congresso foi a expressão e a imagem do Partido e da sua heróica história. Nele estiveram presentes a memória e o exemplo de todas as lutas travadas no passado, em todos os momentos e em todas as circunstâncias – desde o tempo do fascismo, em que lutar e ser comunista tinha como consequência inevitável a perseguição, a prisão, a tortura e muitas vezes a morte, até aos tempos actuais, em que a condição de lutador e comunista é alvo de modernas, mas igualmente brutais e antidemocráticas práticas persecutórias e repressivas.<br />
E do Congresso saiu um colectivo partidário com a firme determinação de dar continuidade a essas lutas, sejam quais forem as circunstâncias que se lhe venham a deparar - um Partido confiante, determinado e convicto para prosseguir a luta.<br />
E pode dizer-se que o Partido saiu tanto mais forte do Congresso quanto o próprio Congresso assumiu a responsabilidade de lutar «Avante por um Partido mais forte».</p>
<p><strong><span style="font-size:xx-small;">T</span></strong>rês traços essenciais caracterizaram as cerca de duzentas intervenções feitas no decorrer do Congresso – desde a intervenção inicial à de encerramento, proferidas pelo secretário-geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa..<br />
Em primeiro lugar, a profunda, clara e assumida unidade e coesão ideológica – raiz essencial da unidade interna do Partido.<br />
Com efeito, nas muitas intervenções – produzidas por camaradas com diferentes e diversificadas experiências partidárias e profissionais, jovens e não jovens na idade, com diferentes saberes e diferentes origens sociais – esteve sempre presente o Partido: com o seu ideal comunista, com a sua identidade composta por específicos traços identitários complementares e indissociáveis - o projecto, a natureza de classe, a ideologia, as normas de funcionamento interno, o internacionalismo proletário e a ligação às massas – enfim, o partido marxista-leninista definido e construído com a nossa «experiência própria». Tratou-se de intervenções que afirmaram inequivocamente o Partido que somos e queremos continuar a ser e que, como incisivamente acentuou o camarada Jerónimo de Sousa, apontam ao Comité Central eleito «a responsabilidade dessa afirmação de um Partido Comunista que não se limita a ter o nome mas a sê-lo».<br />
Outro traço comum a todas as intervenções foi o do profundo conhecimento por parte das organizações partidárias, em todos os sectores, em todas as regiões, da realidade existente, um conhecimento que traduz a forte ligação do Partido às massas, ou seja, aos problemas, aos anseios, às aspirações dos trabalhadores e das populações e às lutas travadas.<br />
Um terceiro aspecto que perpassou por todas as intervenções produzidas foi a da consciência plena da importância decisiva da luta de massas bem como da forte determinação de a continuar e intensificar, com confiança nos seus resultados – aquela confiança serena e consciente de quem sabe que a luta de classes é o motor da história e do desenvolvimento, e que, como uma vez mais foi afirmado, «quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre».</p>
<p><strong><span style="font-size:xx-small;">N</span></strong>ão menos importante foi o ambiente reinante durante os três dias de duração do Congresso, em que as reacções e posturas de delegados e convidados constituíam um todo só possível de concretizar num Partido onde o colectivo é quem mais ordena, num Partido portador do mais avançado, do mais progressista, do mais humanista, do mais belo de todos os ideais: o ideal comunista – ao fim e ao cabo, transportando para a reunião do órgão supremo do Partido a fraterna camaradagem e a assumida militância revolucionária que caracterizam o dia-a-dia da intervenção do colectivo partidário comunista.<br />
Com a consciência plena das previsíveis dificuldades dos tempos que aí vêm, com a firme determinação de lhes dar a resposta adequada – e sempre tendo presente a importância decisiva do reforço do Partido – o XVIII Congresso confirmou a justeza das medidas e orientações definidas pelo congresso anterior e foi ponto de partida para uma nova e exaltante caminhada rumo a um Partido mais forte e à intensificação da luta pelos objectivos políticos essenciais contidos na Resolução Política aprovada.<br />
Como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa na intervenção de encerramento do Congresso: «Aqui forjámos, actualizámos e assinámos um compromisso de honra com o povo português: de tudo fazer por uma vida melhor, num país mais justo e democrático, sem perder rumo em direcção ao horizonte de uma sociedade liberta da exploração do homem por outro homem».</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/955/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=955&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O XVIII Congresso do PCP</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 09:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Terminou ontem mais um Congresso do PCP. Um Congresso onde se aprovaram o novo Comité Central e uma nova resolução política para a acção do Partido para os próximos quatro anos. Com uma dinâmica de discussão política e ideológica muito viva e intensa por parte dos delegados do Partido o XVIII Congresso mostrou mais uma vez como luta de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Terminou ontem mais um Congresso do PCP. Um Congresso onde se aprovaram o novo Comité Central e uma nova resolução política para a acção do Partido para os próximos quatro anos. Com uma dinâmica de discussão política e ideológica muito viva e intensa por parte dos delegados do Partido o XVIII Congresso mostrou mais uma vez como luta de ideias e luta de massas são elementos indissociáveis da luta geral contra a política de direita do grande capital. O XVIII Congresso representa um momento de chegada de meses de discussão colectiva e de debate em todas as organizações do Partido. Mas o Congresso é um ponto de partida, um elo de ligação com a luta que vai continuar para fora onde, como sempre, o Partido representará uma força central e insubstituível pela construção de uma alternativa ao neoliberalismo. Vamos à luta! Continuamos na luta!</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/953/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=953&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>A semelhança estrutural e processual entre o fascismo português e o italiano e alemão</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 23:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido aqui, na editora Apenas Livros.

A semelhança estrutural e processual entre o fascismo português e o italiano e alemão
«Existe uma profunda semelhança estrutural e processual – portanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=3e33242060396625ce3c5ed1558af956"><span style="color:#8a3207;">aqui</span></a>, na editora <a href="http://www.apenas-livros.com/pagina/inicio"><span style="color:#8a3207;">Apenas Livros</span></a>.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://apenas-livros.com/imagem/ffrazao_apenaslivros/publicacoes_img/reduzido/88" alt="" width="169" height="240" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;"><strong>A semelhança <em>estrutural e processual</em> entre o fascismo português e o italiano e alemão</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">«Existe uma profunda <em>semelhança estrutural e processual</em> – portanto em termos de <em>substância</em> e não se atendendo a questões estr(e)itamente quantitativas, ou seja, de <em>grau</em> – entre a PVDE/PIDE/DGS e a polícia política alemã. (…)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Que a polícia política portuguesa tenha prendido, torturado ou assassinado em patamares numéricos inferiores, não apaga o que acima designamos por <em>semelhança estrutural e processual</em> entre ambas. Mais uma vez trata-se de dar inteligibilidade a diferenças de <em>grau</em> e não de <em>natureza</em> entre o regime do Estado Novo e o regime hitleriano. (…)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Por tudo o que foi exposto, as palavras de Victor de Sá sobre a polícia política portuguesa fazem todo o sentido: «a polícia de segurança assume poderes discricionários e infiltra-se em todos os sectores da vida nacional. É o poder invisível que se sobrepõe a todos os poderes» (Sá, 1989, p.19)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Nesse sentido, não parece ter sustentação a tese que, entre outros autores, a historiadora Irene Pimentel vem defendendo de que o Exército seria a principal razão para que o regime do Estado Novo tenha durado tanto tempo. Nas palavras da investigadora, «<em>quem tem as armas, quem tem o monopólio da violência, é que dirige</em>, e não é por acaso que o regime acabou através do Exército» (Pimentel, 2007, p.6) [itálicos nossos]. Este argumento tinha já sido exposto por Poulantzas numa outra obra sua onde procede à revisão – pode-se mesmo dizer atabalhoada e ao sabor das modas de então – de várias das suas teses: «nos regimes que estamos a lidar aqui», ou seja, as ditaduras de Portugal, Espanha e Grécia, «as forças armadas tornam-se no aparelho dominante do Estado» (Poulantzas, 1975, p.114). Esta tese da supremacia das forças armadas no fascismo não faz sentido, conquanto este tenha sido uma das instituições mais poderosas nesses regimes políticos. Do nosso ponto de vista, não há um monopólio da violência por parte do exército, pois este não só é partilhado pela polícia, para uso interno, mas também pela polícia política que tem a legitimidade atribuída pelas altas instâncias do Estado de o utilizar sobre todo o corpo da sociedade e no próprio aparelho de Estado, inclusive nas forças armadas. Por outro lado, as forças armadas não tinham a direcção política do uso da violência. Tal era pertença – esta sim monopolizada – do Governo e, especialmente, do Presidente do Conselho, dos Ministros da Guerra (a partir de 1945, da Defesa) e do Interior. A própria polícia política tinha poderes de uso da força bem mais discricionários e autónomos do que as forças armadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Na prática, os dirigentes políticos fascistas sempre se mostraram com uma clara predominância e hegemonia política face às forças armadas. A coesão entre o Executivo, o exército e a polícia política formaram o triângulo de poder do Estado Novo. No topo da hierarquia do Estado encontrava-se o Presidente do Conselho de Ministros, secundado por um Executivo e um aparelho repressor sustentado na polícia política suficientemente fiéis e coesos para controlarem politicamente o exército.</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/951/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/951/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/951/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/951/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/951/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/951/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/951/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/951/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/951/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/951/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=951&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Fascismo e Estado Novo: a lei no fascismo como legitimação do regime</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/24/fascismo-e-estado-novo-a-lei-no-fascismo-como-legitimacao-do-regime/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 09:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido aqui, na editora Apenas Livros.

A lei no fascismo como legitimação do regime
No Estado Novo, tal como nos restantes regimes fascistas, a lei «é uma cobertura do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=3e33242060396625ce3c5ed1558af956"><span style="color:#8a3207;">aqui</span></a>, na editora <a href="http://www.apenas-livros.com/pagina/inicio">Apenas Livros</a>.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://apenas-livros.com/imagem/ffrazao_apenaslivros/publicacoes_img/reduzido/88" alt="" width="169" height="240" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;"><strong>A lei no fascismo como legitimação do regime</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">No Estado Novo, tal como nos restantes regimes fascistas, a lei «é uma cobertura do arbítrio e do despotismo» (Cunhal, 1994, p.96). Recorrendo ao exemplo dos artigos 8º e 81º da Constituição de 1933, Álvaro Cunhal chama a atenção para o abismo que separa os preceitos jurídicos que (supostamente) regem o Estado Novo e a sua prática efectiva. O artigo 8º da Constituição de 1933 definia os direitos, liberdades e garantias individuais dos cidadãos portugueses. O artigo 81º dizia respeito à competência do Presidente da República nomear o Presidente do Conselho e os Ministros, e exonerá-los. Ontem como hoje, tomar à letra tais preceitos constitucionais, sem atender à sua concretização ou não concretização, só ajuda a obscurecer a natureza da lei no Estado Novo. Isto é, o seu papel cosmético e subalterno na definição da organização e funcionamento internos do Estado. Portanto, qual era a realidade viva das práticas políticas do Estado fascista português? Relativamente ao artigo 8º Cunhal aponta as principais directrizes do Estado Novo em termos de violação dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;text-align:justify;margin:0 0 0 39.7pt;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">«Na verdade, nenhuma forma de expressão do pensamento contrário ao pensamento oficial [do Estado, nota nossa] é permitida; não é autorizada nenhuma forma de organização da Oposição, nem permitidas reuniões políticas não integradas na ordem vigente; a PIDE irrompe pelas casas dos cidadãos, viola a correspondência, prende e mantém longos meses e mesmo anos na prisão sem culpa formada os opositores, quando não os mata com torturas ou assassina friamente a tiro; os fascistas caluniam torpemente os democratas; qualquer resistência à arbitrariedade é acusada de subversão; nem direito ao trabalho, nem direito à vida e à integridade pessoal» (Cunhal, 1994, p.99) </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">era assegurado a um qualquer opositor do regime.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Álvaro Cunhal concluía dizendo que «o artigo 8º» era «uma disposição concebida, escrita, promulgada, com fins puramente demagógicos» (idem). Sobre o artigo 81º basta, por agora, referir que Salazar nunca correu risco de ser exonerado por qualquer um dos 3 Presidentes da República (Óscar Carmona, Craveiro Lopes, Américo Tomás). De facto, Salazar deteve sempre nas suas mãos o poder de Estado.</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/949/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=949&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Fascismo e Estado Novo - Crítica das teses que retiram o Estado Novo dos fenómenos fascistas</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 00:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido aqui, na editora Apenas Livros.

Crítica das teses que retiram o Estado Novo dos fenómenos fascistas
Na teorização dos fenómenos autoritários europeus Hannah Arendt ocupa um lugar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=3e33242060396625ce3c5ed1558af956"><span style="color:#8a3207;">aqui</span></a>, na editora Apenas Livros.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://apenas-livros.com/imagem/ffrazao_apenaslivros/publicacoes_img/reduzido/88" alt="" width="169" height="240" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;"><strong>Crítica das teses que retiram o Estado Novo dos fenómenos fascistas</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">Na teorização dos fenómenos autoritários europeus Hannah Arendt ocupa um lugar de relevo. Distinguindo totalitarismo de autoritarismo, a autora pretendia na sua obra <em>The origins of totalitarianism</em>, por um lado, separar o nazismo alemão de outros regimes fascistas ou autoritários, caso do italiano de Mussolini, do português de Salazar, do espanhol de Franco. Por outro lado, nessa mesma obra a autora agrupa a Alemanha nacional-socialista com a União Soviética de Staline, como os dois exemplos máximos de totalitarismo. Na base de todo este procedimento pioneiro – ao qual não é alheio o contexto da Guerra Fria dos EUA com a ex-URSS – está o vector liberdade/regime político. Para Arendt, «o princípio da autoridade» estaria «diametralmente oposto ao da dominação totalitária» (Arendt, 1994, p.404). Nesse sentido, a autoridade, e mais ainda no que concerne aos regimes autoritários, «está sempre destinada a restringir ou a limitar a liberdade, mas nunca a aboli-la» (Arendt, 1994, p.405). Por seu lado, «a dominação totalitária procura abolir a liberdade, mesmo em eliminar a espontaneidade humana em geral» (idem). Segundo a autora, a classificação dos regimes políticos em democráticos, autoritários ou totalitários passaria, portanto, pela sua relação de, respectivamente, incremento, restrição e abolição da liberdade. O critério utilizado é formalmente elegante mas parece explicar pouco em termos das características estruturais que dizem respeito a cada regime político. Que preceitos metodológicos ou que técnicas de recolha e tratamento da informação capacitam o historiador e o cientista social de analisar o grau de liberdade em cada regime político? Como desligar a subjectividade do cientista social de uma caracterização que envolve, precisamente, o manejamento de uma categoria com uma forte carga moral? Indo mais longe, que conceito de liberdade subjaz a essa análise? Liberdade política, económica, ou outra? Liberdade para quem e como ela se exerce? Liberdade proclamada ou efectivada? O Estado Novo, por exemplo, quando proibia sindicatos livres e partidos políticos oposicionistas, quando reprimia greves de trabalhadores, concretizando-se em prisões, torturas, despedimentos de activistas e participantes nas greves, etc. apenas limita a liberdade de organização dos trabalhadores ou pretende, de facto, aboli-la? Assim, o desenvolvimento de um esforço de classificação dos regimes políticos que tenha como pedra angular um conceito (se é que, em última instância, chega a ser um conceito) tão relativo e alvo de empreendimentos tão notáveis como das piores barbaridades do século XX, parece-nos condenado à partida. Se é evidente que uma análise tipológica dos regimes políticos não se desliga nunca de valores, partir destes para chegar a uma classificação teórica, é um exercício epistemologicamente débil e, mais do que isso, sujeito a arbitrariedades de avaliação por parte do investigador, bem como se torna fácil embutir eventuais subjectivismos no quadro de análise.</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/947/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/947/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/947/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/947/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/947/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/947/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/947/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/947/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/947/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/947/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=947&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Fascismo e Estado Novo: a repressão do movimento operário</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 09:09:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido aqui, na editora Apenas Livros.

A repressão do movimento operário e a ascensão do fascismo: uma ligação incontornável
O estado de subdesenvolvimento político da classe operária portuguesa em 1926 não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já está à venda o meu livro “Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema”. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=3e33242060396625ce3c5ed1558af956"><span style="color:#8a3207;">aqui</span></a>, na editora Apenas Livros.</p>
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<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;"><em><strong>A repressão do movimento operário e a ascensão do fascismo: uma ligação incontornável</strong></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">O estado de subdesenvolvimento político da classe operária portuguesa em 1926 não significa que sectores seus não tivessem resistido à implantação do regime da ditadura militar e ao Estado Novo. De facto, só quebrando a espinha dorsal do movimento operário e popular então existente o fascismo poderia levar a cabo uma política económica capaz de aprofundar lógicas capitalistas. A repressão do reviralho, a proibição dos partidos políticos e dos sindicatos, a repressão de dirigentes operários e políticos de esquerda constituem acções que enfraqueceram nitidamente o jovem movimento operário português. Em todo este processo cabe sublinhar a acção repressiva que o regime fascista teve relativamente à greve geral de 18 de Janeiro de 1934, provavelmente o último fôlego de massas do movimento operário português nascido no final da monarquia e no início da I República (1910-1926). Face a essa mobilização da classe operária portuguesa, o regime realizou «um total de 696 presos» (Patriarca, 2000, p.458), constituindo o «esfrangalhar dos núcleos de resistência à organização corporativa» (Patriarca, 2000, p.490), isto é, abrindo espaço para que o sindicalismo corporativo do Estado Novo se cimentasse. Deste ciclo de derrotas a classe trabalhadora portuguesa só se recomporia a partir das greves de 1943-44, onde o Partido Comunista Português (PCP) iria despontar como a principal força política de resistência ao regime e onde toda uma nova geração de operários iria sofrer uma socialização e uma aprendizagem políticas novas: a Guerra Civil de Espanha (1936-39); a luta de comunistas e outros democratas pela vitória nas eleições para os Sindicatos Nacionais, com o objectivo de desalojar as direcções sindicais alinhadas com o regime; o desenrolar da II Guerra Mundial e a derrota do Eixo (1939-45).</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=945&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 09:07:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Já está à venda o meu livro &#8220;Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema&#8221;. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido aqui, na editora Apenas Livros.

Excerto da introdução
O nosso propósito central – e que funciona como hipótese de trabalho – passa por dar conta de vectores que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já está à venda o meu livro &#8220;Fascismo e Estado Novo: uma aproximação ao tema&#8221;. Ao longo dos próximos dias colocaremos vários pequenos trechos da obra. O livro pode ser adquirido <a href="http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=306&amp;sid=3e33242060396625ce3c5ed1558af956">aqui</a>, na editora Apenas Livros.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://apenas-livros.com/imagem/ffrazao_apenaslivros/publicacoes_img/reduzido/88"><img class="aligncenter" src="http://apenas-livros.com/imagem/ffrazao_apenaslivros/publicacoes_img/reduzido/88" alt="" width="169" height="240" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;"><strong>Excerto da introdução</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:12pt;line-height:150%;font-family:&quot;">O nosso propósito central – e que funciona como hipótese de trabalho – passa por dar conta de vectores que chamem a atenção para as propriedades nucleares e constitutivas do(s) fascismo(s) e de que modo elas se encontram presentes na matriz social, política e económica do Estado Novo. Daí que os enunciados avançados coloquem ênfase na crítica às concepções taxonomistas que apenas ou mais agudamente privilegiam: a) a <em>forma</em> das instituições ou as manifestações específicas do processo histórico, em detrimento da sua <em>substância</em>; b) a dimensão institucional, descartando a sua articulação com uma variável pertinente nas Ciências Sociais: a classe social; c) o lado facial e aparente da relação Estado/partido com as massas e menos com o que subjaz a esse triângulo: a dominação política e simbólico-ideológica de classe; d) a personalidade conservadora e taciturna de Salazar, em prejuízo do papel <em>político,</em> e não meramente carismático e de tribuno, do líder no Estado fascista. Em resumo, se o Estado Novo teve, inegavelmente, particularidades próprias bem presentes ao longo da sua existência, importa reconhecer o essencial: o carácter católico-conservador do regime, a sua menor dimensão de massas e o carácter repressivo (e repressor) <em>quantitativamente</em> inferior (em termos absolutos) que acalentou relativamente aos dois casos mais canónicos de autoritarismo fascista na Europa do século XX (a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler) correspondem, denodadamente, a <em>diferenças de grau mas não de natureza</em>.</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/943/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=943&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Ensaio sobre a cegueira</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 09:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>

		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Em vez de ir a iniciativas deturpadoras do marxismo como o dito Congresso Marx (que faria o grande revolucionário dar uma volta na campa), neste sábado fui ver o filme &#8220;Ensaio sobre a cegueira&#8221; de Fernando Meirelles e baseado na obra de José Saramago.
No fundamental, é um excelente filme e que reflecte o grande livro de Saramago. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Em vez de ir a iniciativas deturpadoras do marxismo como o dito Congresso Marx (que faria o grande revolucionário dar uma volta na campa), neste sábado fui ver o filme &#8220;Ensaio sobre a cegueira&#8221; de Fernando Meirelles e baseado na obra de José Saramago.</p>
<p>No fundamental, é um excelente filme e que reflecte o grande livro de Saramago. A representação de Julianne Moore é extremamente bem conseguida, bem como a de Gabriel Garcia Bernal no papel de vilão. A transmissão da mensagem da obra de José Saramago - a parábola em torno de um mundo neoliberal marcado pela cegueira das condições reais em que o capitalismo assenta e onde o grau de mercadorização é tal que os indivíduos se afogam num mundo de egoísmo e animalidade profundos - é bem conseguida.</p>
<p>Apenas um pequeno senão. Certas partes do filme foram menorizadas em relação à obra literária. Uma delas é o menor protagonismo do homem da venda preta. Reflexo disso é o próprio processo onde ele encontra o seu amor na jovem de óculos escuros, aspecto genialmente desenvolvido por Saramago, porém mais lateralmente pelo realizador Fernando Meirelles. O segundo aspecto mais &#8220;diferente&#8221; em relação ao livro prende-se com o final. Onde na obra literária se vê o povo de &#8220;cegos&#8221; a sair à rua comemorando o final do &#8220;Mal Branco&#8221;, no filme essa cena é reduzida à visão da mulher do médico (Julianne Moore) sobre o céu e sobre a cidade. Penso que a ausência do processo colectivo - tanto à escala do grupo de amigos que vivem a saga de fuga, como ao nível do conjunto da população - acaba por retirar alguma força à solução da vida, da sociabilidade e da organização <strong>colectiva</strong> como forma de superar a &#8220;cegueira&#8221; ideológica e material que o neoliberalismo e o grande capital têm imposto à humanidade.</p>
<p>Contudo, nada disso obsta a uma obra cinematográfica de grande nível e que merece ser vista.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/939/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=939&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Basta de milhões para a banca, soluções para quem precisa</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 13:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://www.pcp.pt/images/stories/pcp/campanhas/campanha-set-2008/basta-banca.jpg"></p>
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<p style="text-align:center;"> </p>
<p></a></p>
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		<title>Seara de Vento 3/3</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 13:46:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#8220;Os olhos muito abertos do Palma parecem fitar as labaredas fumegantes que sobem do telhado do casebre. Tem os braços estendidos sobre as pedras, e a imobilidade da morte vinca-lhe no rosto uma carregada expressão de censura.
Por todos os lados, o confuso clamor de imprecações, apelos, pragas, aumenta cada vez mais. Exaltados, os camponeses tentam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Os olhos muito abertos do Palma parecem fitar as labaredas fumegantes que sobem do telhado do casebre. Tem os braços estendidos sobre as pedras, e a imobilidade da morte vinca-lhe no rosto uma carregada expressão de censura.</p>
<p>Por todos os lados, o confuso clamor de imprecações, apelos, pragas, aumenta cada vez mais. Exaltados, os camponeses tentam vencer a barreira formada pelos guardas.</p>
<p>- Oiçam!</p>
<p>O grito obriga-os a levantarem a cabeça. No alto do cerro, junto da orla das estevas, Amanda Carrusca aparece, de mãos erguidas.</p>
<p>- Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! <strong>Um homem só não vale nada!</strong></p>
<p>Ouve-se como que um gemido soltado por dezenas de bocas, e os camponeses atiram-se para diante.</p>
<p>Com a coronha da carabina no ar, um guarda avança para Amanda Carrusca.</p>
<p>A velha volta-se, cresce. Firme sobre as pernas entesadas, defronta-o. Os andrajos negros, batidos pelo vento, modelam-lhe o corpo seco e chato, só ossos.&#8221;</p>
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		<title>Seara de Vento 2/3</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 19:03:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#8220;Meio apodrecida, a madeira da porta despega-se aos pedaços. As balas assobiam rente à cantaria da lareira, atravessam o tabique, varam o montão de trapos acumulados sobre as enxergas. Rajadas insistem na fechadura. A tranca solta-se, e os restos desmantelados da porta giram nos gonzos. De ombreira a ombreira, os tiros sibilam a meia altura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Meio apodrecida, a madeira da porta despega-se aos pedaços. As balas assobiam rente à cantaria da lareira, atravessam o tabique, varam o montão de trapos acumulados sobre as enxergas. Rajadas insistem na fechadura. A tranca solta-se, e os restos desmantelados da porta giram nos gonzos. De ombreira a ombreira, os tiros sibilam a meia altura com um zuído intenso. Saraivadas ricocheteiam pelas paredes e pelas telhas. No poial, as bilhas, desfeitas em cacos, alagam o chão. Bruscamente a metralhadora deixa de ouvir-se. (&#8230;)</p>
<p>Os canos da espingarda fumegam esbraseados, mal os pode segurar. Tem as palmas das mãos inchadas. Das empolas, de pele aberta para os lados, a carne aparece queimada. Junto com um líquido esbranquiçado, o sangue escorrega-lhe das pontas dos dedos.</p>
<p>Deixa-se cair no mocho, estica doloridamente a perna tumefacta. O sono e o cansaço cerram-lhe as pálpebras. Respira a longos sorvos, extenuado, coberto de suor.</p>
<p>Não muito longe, soam gritos, correrias de cavalos. Amanda Carrusca vai olhar pela frincha da janela.</p>
<p>Na encosta fronteira ao cerro, o oficial dá ordens apressadas, ríspidas. No entanto, apesar da viva oposição dos cavaleiros, grupos de camponeses, cada vez mais numerosos, encontram-se já perto do barranco. (&#8230;)</p>
<p>- Viu? - exclama ele, encostado ao umbral. - Viu essa gente, lá fora? Todos hão-de saber que nós&#8230;</p>
<p>Uma bala rasga-lhe o ombro. Outra roça-lhe a cara, chapa-se na parede, rente à orelha, e risca-lhe a face de sangue até ao queixo, como um golpe de navalha. Antes de conseguir refugiar-se, a terceira fura-lhe o sovaco, e sai pelas costas. Sente uma vertigem, as paredes como que oscilam, e desaba de borco sobre as lajes. Abre os olhos, muito pálido, de braços estendidos, as mãos a tactearem a cinza. Um bicho no fojo. Um bicho caçado.</p>
<p>Em labaredas, as enxergas e os trapos, incendiados pelas balas, pegam fogo ao tabique. O fumo sobe até as telhas, e reflui, invadindo todo o casebre. Já se não vê de um lado para o outro, mas os tiros desferidos do terreiro continuam, ininterruptos.</p>
<p>Após repetidas tentativas, o Palma consegue virar-se. Tem a cara suja da lareira, e o suor e o sangue enchem-na de fundos sulcos. Com os movimentos travados pela dor, rearma a espingarda.</p>
<p>A velha aproxima o rosto, amargurado.</p>
<p>- Deixa-me tratar-te.</p>
<p>-Não!&#8230; - grita o Palma com a voz arquejante. - Nada adianta!&#8230; E não chore&#8230; ouviu?!</p>
<p>Tosse, asfixiado pelo fumo. Ripas e barrotes transformam-se num braseiro. As telhas estalam, ruidosas. Por momentos, fitam-se ainda. Amanda Carrusca tem os olhos marejados de lágrimas, a boca engelhada. O Palma vira a cara.</p>
<p>- Já disse que não quero que me chorem!&#8221;</p>
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		<title>Seara de Vento - 1/3</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 09:25:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Como já se afirmou neste espaço, passa-se, neste ano de 2008, meio século da publicação de uma das obras literárias portuguesas mais geniais do século XX: &#8220;Seara de Vento&#8221; de Manuel da Fonseca. Assim, como forma de incentivar a uma leitura ou releitura dessa obra notável sobre a vida e a luta no Alentejo durante os anos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Como já se afirmou neste espaço, passa-se, neste ano de 2008, meio século da publicação de uma das obras literárias portuguesas mais geniais do século XX: &#8220;Seara de Vento&#8221; de Manuel da Fonseca. Assim, como forma de incentivar a uma leitura ou releitura dessa obra notável sobre a vida e a luta no Alentejo durante os anos de 1931 e 1932, aqui fica um excerto de um diálogo entre Júlia e Amanda Carrusca, respectivamente, filha e mãe. Neste excerto encontra-se um diálogo extremamente bem construído por Manuel da Fonseca, um diálogo que é muito mais do que uma conversa entre mãe e filha mas se projecta nas próprias vicissitudes entre diferentes visões sobre o futuro do Alentejo e do operariado agrícola da região. Enquanto Júlia subscreve a noção de que a miséria era inevitável e onde não mais caberia aos operários do que conformar-se com o que (não) tinham, Amanda Carrusca lavra uma visão de rejeição aberta da situação então existente nos campos alentejanos.</p>
<p> </p>
<p>Júlia curva-se, movendo a cabeça.</p>
<p>- Uns tão ricos e outros sem nada&#8230; Até devia haver uma lei contra isto.</p>
<p>- Haver o quê?!&#8230; Estás parva. Pois se os ricos é que fazem as leis! (&#8230;)</p>
<p>- Pobrezitos&#8230; O meu Luís, desde que partiu, nem uma letra sequer, é como se tivesse morrido. A minha Custódia, essa&#8230;</p>
<p>- Olha do que te havias de lembrar.</p>
<p>- Que quer que eu pense mãe? Se a gente morasse na vila, tenho a certeza de que ainda estavam comigo. Lá na vila, quando uma família necessita, os ricos têm dó, e ajudam.</p>
<p>- Dó, os ricos? Estás mesmo de todo, mulher! Dó! Essa é nova!&#8230; Estragaram-te com mimos lá na vila, foi o que foi. Nunca mais te habituas a viver como os outros aí dos campos.</p>
<p>- Quem pode habituar-se a esta miséria?</p>
<p>- Ninguém, caramba! O que não andam é, como tu, a defender tal gente!</p>
<p>- Não posso, não posso&#8230; - insiste Júlia, com um soluço. - A minha Custódia, de mão em mão, na Rua da Branca&#8230; Meu Deus, que mal teria feito a pobre para tão grande cruz?</p>
<p>Cala-se, suspensa. Inesperada sensação de pavor obriga-a a levantar a cabeça. O queixo treme-lhe como se um arrepio gelado lhe percorresse o corpo.</p>
<p>- Mãe, eu sempre tive a minha religião!&#8230;</p>
<p>- Hã? - murmura a velha, de face enrugada pelo espanto. - Que é que a religião tem que ver com isto?</p>
<p>- Tem muito. A gente tem que sujeitar-se: somos pobres&#8230; Se o António não andasse sempre a falar do Elias Sobral, a nossa vida era outra.</p>
<p>- Falar, dizes tu? - A exaltação quase sufoca Amanda Carrusca. - Raios me partissem, se eu fosse homem e não fizesse pior!</p>
<p>Leva tempo a dominar-se. Por fim, exausta, o seu rosto, destroçado por fundos vincos, exprime como que séculos de esperança traída. O desânimo e a amargura enchem-lhe a voz lenta, segredada:</p>
<p>- Bondade, religião&#8230; Era bom. Era muito bom que aqueles que falam dessas coisas as praticassem. Mas olha&#8230; Não, tu não podes entender-me. Magicas muito, e não vês nada. Julgas que tudo acontece sem ninguém ter culpa, supões que é o destino&#8230; É isso. Supões que é o destino que levou os teus filhos a fugirem de casa, que é o destino que obrigou o teu sogro a matar-se, o teu marido a ir parar à cadeia. Pensas assim&#8230; e há muita gente da tua marca. Medrosos!&#8230;</p>
<p>Encolhe os ombros, sem desprezo nem zanga, apenas desinteressada, como se tal gente jamais pudesse pertencer ao seu mundo. Compõe o lenço em volta dos cabelos e recomeça, com desalento:</p>
<p>- Falar, falar&#8230; Quem é que nos ouve, se até Deus nos esqueceu?</p>
<p>- Cale-se que está a pecar!&#8230; - choraminga Júlia, de mãos nas fontes. - Deus é pai de nós todos&#8230;</p>
<p>- Será. Mas uns são filhos, outros enteados.</p>
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		<title>1917, sempre!</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 13:01:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>

		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<category><![CDATA[Revolução de Outubro]]></category>

		<category><![CDATA[Solidariedade Internacionalista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://asvinhasdaira.wordpress.com/?p=927</guid>
		<description><![CDATA[A Revolução Socialista de Outubro de 1917 representa o que de mais fecundo a humanidade trabalhadora foi capaz de gerar no século XX: a emancipação dos trabalhadores pelas suas próprias mãos, a organização colectiva, democrática e participada da produção económica pelos produtores, a vitória sobre o nazi-fascismo, a promulgação e real efectivação de direitos sociais, políticos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A Revolução Socialista de Outubro de 1917 representa o que de mais fecundo a humanidade trabalhadora foi capaz de gerar no século XX: a emancipação dos trabalhadores pelas suas próprias mãos, a organização colectiva, democrática e participada da produção económica pelos produtores, a vitória sobre o nazi-fascismo, a promulgação e real efectivação de direitos sociais, políticos e culturais para a classe trabalhadora, a libertação do campesinato russo de centenas e centenas de anos de servidão, a luta pela descolonização e libertação nacional de dezenas e dezenas de povos de todo o mundo, etc. Por tudo isto, a Revolução de 1917 marcou e continuará a marcar as futuras lutas dos trabalhadores e dos povos contra a ordem do capital, pelo socialismo, por uma sociedade livre da exploração e da opressão. Lembrar Outubro, por conseguinte, é afirmar a validade do ideal e da prática comunista, é afirmar a possibilidade de se construir uma sociedade que promova realmente a liberdade e a igualdade. Vamos à obra!</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/927/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/927/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/927/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/927/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/927/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=927&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O processo histórico de constituição do capital e expropriação dos expropriadores&#8230;</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/06/o-processo-historico-de-constituicao-do-capital-e-expropriacao-dos-expropriadores/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 16:02:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

		<category><![CDATA[O Capital]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230; ou de como os escritos publicados - neste caso, O Capital - contêm um potencial revolucionário que muito pseudo-marxismo recusa olhar e abraçar.
«A transformação da propriedade privada fragmentada assente em trabalho próprio do indivíduo em propriedade privada capitalista é, naturalmente, um processo incomparavelmente mais longo, duro e difícil do que a transformação da propriedade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8230; ou de como os escritos publicados - neste caso, O Capital - contêm um potencial revolucionário que muito pseudo-marxismo recusa olhar e abraçar.</p>
<p><em>«A transformação da propriedade privada fragmentada assente em trabalho próprio do indivíduo em propriedade privada capitalista é, naturalmente, um processo incomparavelmente mais longo, duro e difícil do que a transformação da propriedade privada capitalista, já efectivamente assente num funcionamento de produção social, em propriedade social. <strong>Tratava-se ali da expropriação da massa do povo por poucos usurpadores, aqui trata-se da expropriação de poucos usurpadores pela massa do povo».</strong></em></p>
<p>In O Capital, Livro Primeiro - tomo III, Lisboa: Edições Avante, p.863</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre as teses do branqueamento do fascismo</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/05/sobre-as-teses-do-branqueamento-do-fascismo/</link>
		<comments>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/05/sobre-as-teses-do-branqueamento-do-fascismo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 09:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>

		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[1- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que a PIDE, a polícia política, nada teria a ver com os líderes máximos do regime.
2- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que o regime fascista reger-se-ia por postulados constitucionais democráticos.
3- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>1- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que a PIDE, a polícia política, nada teria a ver com os líderes máximos do regime.</p>
<p>2- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que o regime fascista reger-se-ia por postulados constitucionais democráticos.</p>
<p>3- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que a repressão existente seria historicamente justificável no quadro internacional de avanço do movimento comunista.</p>
<p>4- as teses do branqueamento do fascismo cultivam a noção de que o regime não teria nenhuma ligação profunda com o grande capital nacional e internacional.</p>
<p>5- as teses do branqueamento do fascismo escamoteiam, sempre que podem, o lugar central do PCP na resistência contra um regime sanguinário e torcionário.</p>
<p>6- as teses do branqueamento aspiram a considerar o PCP como o inventor de uma, dizem eles, pretensa repressão fascista, relegando o regime para uma cómoda posição de repositor da ordem pública contra uma organização de supostos fanáticos ao serviço de Moscovo.</p>
<p>7- as teses do branqueamento do fascismo contam com largo financiamento - nacional e internacional - em ordem a, por um lado, criminalizar o comunismo e a resistência popular e, por outro lado, criar uma imagem benévola dos regimes ditatoriais fascistas e fascizantes.</p>
<p>8- as teses do branqueamento do fascismo são assumidas por &#8220;historiadores&#8221; - alguns até pessoanamente premiados pelas mais elevadas instâncias de poder e da cultura dominantes - que têm a perfeita noção do seu papel e que, ao mesmo tempo, colocam o seu labor que se quer científico em prol da revisão histórica ao serviço dos interesses da classe dominante.</p>
<p>9- as teses do branqueamento do fascismo, por muito aparato mediático, por muita cobertura institucional que tenham, sofrem de insanáveis contradições teóricas: a sua omissão de importantes dados factuais, a metodologia a mais das vezes assente na mera recitação documental das entidades políticas e repressoras do regime fascista, a incapacidade conceptual em relacionar Estado, economia e classes sociais.</p>
<p>10 - as teses do branqueamento do fascismo, por muito aparato mediático, por muita cobertura institucional que tenham, sofrem de insanáveis contradições práticas: os povos oprimidos, os trabalhadores e as suas organizações de vanguarda sabem, na prática, melhor do que ninguém que para lá de toda a cantilena dos ideólogos de serviço, a sua luta organizada e colectiva é a melhor arma contra o fascismo e pela construção de uma sociedade (socialista e comunista) onde a mentira, a invencionice e a opressão não serão mais possíveis.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/923/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/923/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/923/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/923/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/923/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/923/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/923/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/923/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/923/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/923/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=923&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Dia 8 de Novembro: manifestação de professores contra este modelo de avaliação e em defesa da Escola pública, gratuita e de qualidade</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/04/dia-8-de-novembro-manifestacao-de-professores-contra-este-modelo-de-avaliacao-e-em-defesa-da-escola-publica-gratuita-e-de-qualidade/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 09:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Professores]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;     ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><img class="alignnone" src="http://www.fenprof.pt/Download/FENPROF/M_Html/Mid_188/Imagens/_cartazmanif_8nov.jpg/cartazmanif_8nov_258x366.jpg" alt="" width="258" height="366" /></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Irene Pimentel ou de como o fascismo nunca teria existido</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/11/03/irene-pimentel-ou-de-como-o-fascismo-nunca-teria-existido/</link>
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		<pubDate>Mon, 03 Nov 2008 10:09:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blogues]]></category>

		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>

		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<category><![CDATA[Álvaro Cunhal]]></category>

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		<description><![CDATA[Na blogosfera, sobretudo a partir do blogue Entre as brumas da memória, desencadeou-se mais uma campanha contra o PCP. O momento não deixa de ser oportuno para todo o universo anticomunista. A proximidade com o XVIII Congresso do PCP aguça o apetite dos que suspiram e aspiram pelo fim do PCP. Por outro lado, a ausência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na blogosfera, sobretudo a partir do blogue <a href="http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2008/10/avante-um-pouco-de-rigor-se-no-der.html">Entre as brumas da memória</a>, desencadeou-se mais uma campanha contra o PCP. O momento não deixa de ser oportuno para todo o universo anticomunista. A proximidade com o XVIII Congresso do PCP aguça o apetite dos que suspiram e aspiram pelo fim do PCP. Por outro lado, a ausência de polémicas anti-comunistas na preparação deste Congresso - ao inverso dos grupelhos anti-comunistas de João Amaral, Edgar Correia, Carlos Brito, etc. - dificultou a vida a toda essa gente. Assim, nada melhor do que &#8220;pegar&#8221; num artigo de opinião de José Casanova, director do jornal Avante!, e aproveitar a ocasião de &#8220;malhar&#8221; nos comunistas.</p>
<p>O referido artigo de José Casanova versa o novo livro de Irene Pimentel sobre a história do inspector da PIDE Fernando Gouveia e sobre a sua relação com o PCP. Aí, José Casanova, acusa Irene Pimentel de neste seu novo livro procurar branquear o fascismo. Inflamadamente, a partir do post acima mencionado do blogue, várias personagens aproveitaram para atacar o PCP e a sua suposta incapacidade de viver com a existência de outras visões sobre o regime do Estado Novo e contra a pretensa vontade de monopolização da verdade histórica da resistência ao fascismo em Portugal.</p>
<p>Concordo integralmente com o texto de José Casanova pelo que me concentrarei a trazer outros dados e que ainda não foram abordados nesta questão.</p>
<p>1) A abordagem histórica de Irene Pimentel - tanto neste livro sobre o torcionário Fernando Gouveia como no anterior sobre a PIDE - é, sem dúvida, branqueadora do fascismo. Senão vejamos.</p>
<p>Em primeiro lugar, Irene Pimentel (IP) quase nunca refere o termo fascismo e quando o faz é quase única e exclusivamente para classificar a Itália mussoliniana. IP, como historiadora que é, sabe - ou deveria saber - que as palavras contam e que a mudança terminológica que a maioria da historiografia académica tem levado a cabo em torno da natureza do regime ditatotial do Estado Novo não é inocente.</p>
<p>Em segundo lugar, a autora abordou a PIDE e Fernando Gouveia de uma forma, a meu ver, descaradamente descontextualizada. Quer dizer, como estudar a PIDE sem nunca problematizar teórica e historicamente a natureza política e socioeconómica do Estado Novo. Reduzir a PIDE a um estrito aparelho de repressão sem ligá-la às instituições políticas e sociais em que se insere é fazer história para venda de livros, nunca uma historiografia séria e rigorosa.</p>
<p>Em terceiro lugar, na sequência do argumento anterior, ao isolar a polícia política de um estudo da natureza do regime e da sociedade de então, IP vai branqueando enfaticamente a natureza tanto da PIDE como do próprio fascismo. Ao isolar a PIDE da substância política do regime de Salazar e Caetano, IP está a ilibar estes dois líderes fascistas das suas responsabilidades na determinação das políticas de repressão levadas a cabo pela polícia política. Consequentemente, a polícia política surge na obra de IP como um aparente corpo independente do Estado, quando, na realidade, o director da PIDE e toda a polícia política respondiam directamente ao Presidente do Conselho, Salazar ou Marcelo Caetano. Ora, esta busca teórica pela independência da PIDE em relação ao aparelho de Estado fascista repercute-se na ausência de qualquer conexão ou estudo da inserção do regime fascista na estrutura socioeconómica da época. Assim, IP vai omitir a profunda relação entre o Estado Novo e a grande burguesia da época. Desde a formação dos grandes grupos empresariais (CUF, Sommer, Espírito Santo, etc.) a partir da legislação promulgada no Condicionamento Industrial, até à elevadíssima concentração de capital nas mãos de uma meia dúzia de grandes potentados económicos, é particularmente visível a ligação umbilical do regime fascista com o grande capital (português e mesmo estrangeiro). Numa obra com mais de 600 páginas como a História da PIDE e nunca abordar estas questões parece-me profundamente enviesante e facto nítido de branqueamento das características fundamentais do regime. Eu compreendo que abordar estas questões não permitem um historiador vender livros ao quilo nem aparecer nos escaparates, mas um historiador deve pautar-se pela seriedade e objectividade ou pela busca de um maior valor acrescentado no mercado?</p>
<p>2) O método de IP é puramente documental. Ou seja, IP estrutura a sua análise a partir da leitura e concatenação de documentos - a esmagadora maioria deles a partir de arquivos da PIDE. Evidentemente, não cabe na cabeça de ninguém criticar um historiador por trabalhar documentos. O contrário seria, sem dúvida, profundamente pernicioso. A questão que se coloca em IP é que a fixação a documentos na esmagadora maioria das vezes provenientes da PIDE, portanto, do próprio Estado que matou, torturou e prendeu, sem procurar dialogar com outras fontes e sem nunca apresentar uma linha argumentativa que relativizasse a natural omissão de informação nos documentos provenientes do regime, denota um enviesamento acentuado na própria condução da sua investigação.</p>
<p>Para terminar, por tudo o que foi aqui, resumidamente, apresentado parece-me muito difícil que IP não esteja a proceder a um branqueamento do regime fascista. Desde a não problematização da sua natureza política e social, passando pelo método de investigação e de exposição, é mais do que pertinente a crítica de José Casanova de que IP tem vindo a proceder a um exercício de branqueamento do fascismo e da resistência do PCP como referência central e principal na luta anti-fascista.</p>
<p>Post scriptum: se IP tem sofrido muitíssimo mais críticas de militantes e simpatizantes do PCP e muitíssimo menos de ex-dirigentes vivos do Estado Novo e de actuais simpatizantes fascistas, tal facto deveria levá-la a pensar sobre as reais implicações da sua obra. Já que IP tem orientado a sua obra para o mercado, seria, por seu turno, útil atender às respostas e feedbacks políticos desse mercado.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/asvinhasdaira.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/asvinhasdaira.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/asvinhasdaira.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/asvinhasdaira.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/asvinhasdaira.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/asvinhasdaira.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/asvinhasdaira.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/asvinhasdaira.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/asvinhasdaira.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/asvinhasdaira.wordpress.com/917/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=asvinhasdaira.wordpress.com&blog=591750&post=917&subd=asvinhasdaira&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sobre os Grundrisse</title>
		<link>http://asvinhasdaira.wordpress.com/2008/10/31/sobre-os-grundrisse/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 10:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://asvinhasdaira.wordpress.com/?p=915</guid>
		<description><![CDATA[Replicação de um comentário meu no blog &#8220;Anónimo século xxi&#8221; do Camarada Sérgio Ribeiro, a propósito da pretensa primazia dos rascunhos e dos manuscritos não publicados em vida de Marx para o pensamento marxista na actualidade.
«A questão de uma pretensa primazia dada aos Grundrisse não é de hoje. No estrangeiro, gente tão horripilante como o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Replicação de um comentário meu no blog &#8220;<a href="http://anonimosecxxi.blogspot.com">Anónimo século xxi</a>&#8221; do Camarada Sérgio Ribeiro, a propósito da pretensa primazia dos rascunhos e dos manuscritos não publicados em vida de Marx para o pensamento marxista na actualidade.</p>
<p>«A questão de uma pretensa primazia dada aos Grundrisse não é de hoje. No estrangeiro, gente tão horripilante como o André Gorz ou o ainda pior Negri sustentam a sua análise da evolução do capitalismo a partir de uma leitura (transviada) de uma famosa passagem dos Grundrisse. Há, de facto, uma passagem de meia dúzia de páginas nos Grundrisse que fala, em termos gerais, do papel do conhecimento na determinação da vida económica e social. É aqui, pelo menos que eu saiba, que surge pela primeira vez a questão do &#8220;intelecto geral&#8221; expandido a toda a sociedade.</p>
<p>A análise do Marx nessa passagem, apesar de nunca citar nada relativo ao socialismo nem à luta de classes, trata da evolução do conceito de capital em termos estritos. Ou seja, ele não analisa o conceito do capital em conexão com outras categorias essenciais na sua teoria - revolução socialista, luta de classes, etc. No fundo, ali o Marx fala da produção de riqueza em termos da sua futura expansão a toda a sociedade. Não integrando outros conceitos centrais da sua análise, mas ficando-se apenas pela categoria de capital, poderia dar a entender duas noções que foram deturpadas pelos Negris deste mundo. 1) o capitalismo veria as suas relações sociais corroer-se por si mesmas; 2) a produção do intelecto geral e dinamizado pelos trabalhadores a um nível global e sem controlo do poder económico capitalista já estaria a ocorrer dentro do capitalismo. Esta é uma tese muito presente em muito pretenso marxista e que tende a querer aplicar mecanicamente o modelo de transição do feudalismo para o capitalismo para o caso da transição do capitalismo para o socialismo. Se tal fosse verdade, dizem Negri, Gorz, ou o idiota português do Penim Redondo (um vaidoso que acha que só ele tem razão nestas matérias) o capitalismo assiste já hoje à penetração de relações de produção socialistas no seio do capitalismo. Assim, em termos políticos bastaria esperar que essas pretensas relações sociais socialistas assentes na produção de conhecimento (como se um programador de conteúdos informáticos avançados da Microsoft não fosse um trabalhador assalariado&#8230;) florescessem e o capitalismo cairia. Fácil não? Assim se retira a perspectiva revolucionária e a iniciativa popular do horizonte.</p>
<p>Para voltar aos Grundrisse. Não há ali qualquer tipo de reformismo ou de utopismo por parte do Marx. Ele ali quis apenas perceber a conexão lógica interna da categoria de capital e como a produção de riqueza e de conhecimento varia ao longo do tempo. Ele elaborou essa passagem num elevado nível de abstracção teórica. O seu propósito era claramente o de afinar o conceito para depois o respaldar numa totalidade mais vasta de conceitos. Aliás, se a concepção de evolução social do Marx fosse a da leitura transviada que fazem da passagem dos Grundrisse, de certeza absoluta que não se encontraria em pleno Capital (1ºlivro) a tese de que a passagem para o socialismo necessitava da expropriação dos expropriadores, ou seja, a tomada revolucionária do poder de Estado, a subsequente transformação das estruturas sociais, económicas e políticas no interesse da classe trabalhadora, o papel activo dos trabalhadores na luta por uma nova sociedade.</p>
<p>Portanto, aquela passagem dos Grundrisse é confortável para todo o tipo de reformistas pois afasta-lhes do horizonte a central tese marxiana da expropriação dos expropriadores.</p>
<p>Por outro lado, parece-me que os Grundrisse são muito importantes em termos da compreensão da dinâmica económica do capitalismo. Contudo, é um conjunto de manuscritos nunca revistos e que são, na verdade, materiais preparatórios para O Capital. Ao mesmo tempo, a leitura dos Grundrisse deve ser sempre contextualizada no cenário que acabei de referir.»</p>
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		<title>Discurso de Aleka Papariga, secretária-geral do KKE (Partido Comunista Grego)</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 09:12:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaovalenteaguiar</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Luta dos trabalhadores]]></category>

		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>

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Texto retirado de O Diário.info.
Gostava de lhes dar as boas-vindas à Festa, que este ano é organizada conjuntamente pelo Partido Comunista Grego [KKE, nas suas siglas em grego] e a Juventude Comunista da Grécia [KNE, nas suas siglas em grego] em homenagem ao duplo aniversário: o 90º do Partido e o 40º da KNE. 
Damos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table border="0" cellspacing="10" cellpadding="5" width="100%">
<tbody>
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<tr>
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<h1 style="line-height:15.6pt;margin:auto 0;"><span style="font-size:14pt;color:#29303b;font-family:&quot;">Texto retirado de <a href="http://odiario.info/">O Diário.info</a>.</span></h1>
<h1 style="line-height:15.6pt;margin:auto 0;"><span style="font-size:14pt;color:#29303b;font-family:&quot;">Gostava de lhes dar as boas-vindas à Festa, que este ano é organizada conjuntamente pelo Partido Comunista Grego [KKE, nas suas siglas em grego] e a Juventude Comunista da Grécia [KNE, nas suas siglas em grego] em homenagem ao duplo aniversário: o 90º do Partido e o 40º da KNE. </span></h1>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Damos as boas-vindas às delegações dos 61 partidos comunistas e operários e organizações juvenis comunistas que nos acompanham nesta celebração, prestando tributo ao internacionalismo proletário e à solidariedade internacionalista. Estamos a fortalecer a nossa solidariedade com os partidos comunistas e os povos que lutam contra o imperialismo e pelo socialismo. Expressamos a necessidade de uma acção e colaboração mais coordenada, e de um Movimento Comunista Internacional que trace uma estratégia comum.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Saudamos todos os trabalhadores, artistas e voluntários que, com entusiasmo, originalidade e paixão, levantaram esta Festa e deram uma cor especial a este aniversário.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ao longo da sua história, inclusive nas piores condições, o KKE nunca teve medo de propor análises que os que estão no poder perseguiram e castigaram, mesmo com a pena de morte, mas que a sociedade ainda não estava preparada para aceitar.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Fazia falta valentia política para denunciar a Expedição à Ásia Menor, num momento em que a «Grande Ideia» anexionista governava e dividia os povos vencidos.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A iniciativa do KKE foi de grande importância quando, apesar dos fortes ataques do Rei e de Metaxás, dirigiu a Resistência, enfrentando ao mesmo tempo os ataques de classe e as provocações dos colaboradores e aliados dos britânicos.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Às crianças não se lhes ensina que, desde o primeiro momento da ocupação italo-alemã, o mundo político burguês manteve uma atitude diferente da do KKE. Uma parte desse mundo colaborou abertamente com os invasores, outra parte foi para o Egipto e preparou-se para impedir a completa tomada do Poder pelas forças da Resistência. Conseguiram aproveitar a falta de uma estratégia global por parte do movimento e especialmente do Partido. Mas esse momento, quando não pudemos assumir as responsabilidades como deveríamos ter feito, não tinha nada a ver com traição ou interesse próprio. Se o nosso erro foi não reconhecer a correlação de forças existente e depositar ilusões na posição dos aliados e no mundo político burguês, a escolha não foi fruto da inexperiência ou do erro. No Cairo, em Alexandria e Londres, todos eles eram consequentes com a sua classe, queriam arrancar a árvore da resistência até à sua mais ínfima raiz.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Conseguiram-no a ferro e fogo e à custa dos que tomaram a via da resistência, enquanto outros passavam uma boa vida no estrangeiro.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Por isso este ano, ao celebrar o 90º aniversário, temos prestado uma homenagem especial ao jovem movimento guerrilheiro que nasceu depois da libertação até 1949, e à luta do Exército Democrático, que foi o ponto culminante da luta de classes na Grécia no século XX, uma batalha anti-imperialista e internacionalista. Por um lado, a luta armada de massas manteve-se firme, mas por outro os governos e maquinaria dos partidos da direita e liberais, que tinham pelo seu lado a força das armas do imperialismo estadunidense e britânico, fizeram aumentar a violência.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Tomemos na devida conta a enorme importância da audaz e correcta posição do partido em 1974, assinalando que a transição de uma ditadura para uma república parlamentar burguesa se dava depois de vários «toma-lá-dá-cá».</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Recordemos o aviso que fez o Partido sobre a natureza imperialista da guerra dos Balcãs no início dos anos 90, quando as restantes das forças políticas diziam, condescendentes, que a humanidade tinha entrado na auto-estrada da democratização, da prosperidade e da paz.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sentimo-nos orgulhosos porque no período mais difícil para o sistema socialista e o movimento comunista, quando os «ratos» - quadros e dirigentes - «abandonavam o barco», falávamos da vitória da contra-revolução. Defendemos o papel e a contribuição do socialismo no século XX, a sua necessidade histórica e o facto de na nossa época continuar a ser uma época de transição do capitalismo para o socialismo.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Em 1991 estivemos mais que à altura das circunstâncias quando evitámos a dispersão voluntária, isto é, a auto-dissolução do Partido na então Coligação de Esquerda. È importante o facto de ter mantido a continuidade histórica do KKE e que não tenha passado um só dia em que não tenhamos tomado parte nas lutas diárias.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ainda que feridos, estávamos prontos para lutar, para explicar e para ter iniciativas de luta, visto que o Tratado de Maastricht, aprovado por toda a gente excepto o KKE, preparava o caminho para que entrassem nas nossas vidas as primeiras medidas bárbaras de reestruturação capitalista.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">No momento adequado, contra a corrente, proclamámos que o povo não só não deveria temer um governo instável e impopular, ou um sistema político instável e antipopular, mas que, de facto, deveria tratar de o debilitar e desestabilizar ainda mais, sempre, naturalmente através de golpes decisivos do movimento operário e popular e com os olhos postos no contra-ataque final.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Por outro lado, não foi igualmente importante que o KKE avisasse aberta e claramente o povo de que não só deveria condenar a alternância entre a Nova Democracia (ND) o Partido Socialista Operário Grego (PASOK), mas ir mais além e fazer frente contra os projectos de reforma do sistema político com um governo de centro-direita ou centro-esquerda?</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A conclusão pode extrair-se de toda a nossa história. Nunca, em ocasião alguma, sob qualquer circunstância, pode haver justificação para deixar de assegurar a acção independente do partido, a existência de forças organizadas em todos os lugares, ali onde seja possível, a qualquer custo em termos de sacrifício. Tudo isso com a condição de actuarmos com uma estratégia e uma táctica planificadas que não hipotequem os interesses da classe operária com êxitos temporais ou com os erros e as dificuldades da luta.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Nenhum agrupamento político, independentemente de quão radical seja, pode substituir o papel e a contribuição do Partido Comunista organizado principalmente nos centros e sectores de trabalho. Isto também é certo para a Juventude Comunista da Grécia (KNE). A situação de 1958 não se repetirá, quando as Organizações do partido foram dissolvidas e dispersas num agrupamento de esquerda mais amplo. A presença independente nos aspectos ideológico, político e organizativo do KKE garante a formação e duração da aliança política da Frente sociopolítica Anti-imperialista, Antimonopolista e Democrática que propomos. Mais, também reconhecemos o direito à independência aos nossos aliados.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Uma característica do KKE um tractor que lavra a terra para semear ideias novas, de vanguarda e incomuns para que se convertam numa enorme árvore que porá fim à exploração de classe, promoverá a igualdade social e a igualdade entre os sexos e promoverá o internacionalismo operário e o papel da ciência ao serviço do povo.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não somos apenas o partido que centra a sua atenção no povo trabalhador; somos o Partido que vê nesse povo a força dirigente da produção da riqueza e a força dirigente da libertação da sociedade de todo o tipo de exploração. Na maior parte da juventude vemos a geração da classe operária de amanhã, a dos sectores populares que carregarão com o peso das grandes ameaças radicais que transformarão o mundo. Esperamos que tenham mais êxito que nós.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O KKE dá importância e enfatiza as lutas diárias que contribuam para a resolução de problemas do povo. Ao mesmo tempo tem a característica particular de tentar – às vezes com êxito outras vezes não – lutar pelo que é historicamente oportuno e necessário, independentemente da correlação de forças num determinado momento histórico concreto. A burguesia, os derrotistas e os oportunistas de todo o tipo só estão interessados em mudar os peões do tabuleiro do governo burguês.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ao longo de toda a nossa história sempre temos representado o realismo da indisciplina e da desobediência militante perante as ordens de submetimento e conformismo, e o realismo da resistência e do contra-ataque contra o chamado realismo do conformismo e da intimidação, do suborno e do favoritismo. Esta posição é completamente independente da impaciência pequeno-burguesa e do oportunismo de outras forças.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O KKE não procura frases pomposas, não muda os seus termos científicos que representam um conteúdo específico da realidade contemporânea. Não estamos numa procura hipócrita de inovações.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Trabalhamos para mostrar qual é a tarefa actual que corresponde à realidade objectiva, ao progresso, e à necessidade de solucionar os problemas concretos.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Realismo é o que o povo pode fazer quando sabe como usar o seu poder, quando se arrisca a mudar a correlação de forças em vez de arriscar a vida sob uma carga das correlações de forças adversas.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O que é o oportuno e o realismo hoje?</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O KKE responde a esta pergunta com o seu Programa, com as conclusões tiradas da construção do socialismo, que combinam a projecção da superioridade deste sistema com a avaliação crítica dos erros cometidos durante a sua construção. Isto dói ao adversário, que não tem nada de novo para dizer para além do que já disse desde o primeiro dia da vitória da Grande Revolução de Outubro. Apesar do que já disse, ainda queria dizer uma coisa mais: que não pode aceitar que se questione a propriedade capitalista. Isto é o que nos diferencia, confrontemo-los sobre isso e deixemos de lado os temas Estaline e Yalta e tudo o mais sobre que continuam a falar.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">À pergunta de «como podemos sair do impasse» respondemos com as nossas propostas de resolução dos problemas que nos preocupam hoje, com a luta para impor algumas soluções hoje, inclusive soluções parciais. Mas não nos detemos aqui, porque hoje, mais que ontem, a luta diária deve dirigir-se para derrotar o sistema, para a vitória do poder popular e da economia popular.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">No que respeita às grilhetas do sistema, com o manejo das quais os dois partidos se alternam no poder, respondemos com o apelo a convertê-las numa ruptura plena e total.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">No que respeita aos esforços da classe burguesa para voltar ao bipartidarismo ou a um período intermédio de governos de centro-direita ou centro-esquerda, respondemos «continuai assim», «debilitai os partidos burgueses», «não procureis diferenças entre eles». A única diferença importante entre eles é o seu egoísmo e a sua concorrência interessada para ver quem tomará as rédeas do governo.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não confiemos nas forças do oportunismo que tentam acariciar o povo com com os denominados governos de esquerda, mas sem qualquer intenção atacar o poder dos monopólios na economia.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O movimento operário deve ser reorganizado e regenerado com uma orientação de classe. Há que fortalecer o KKE, independentemente de se estar totalmente de acordo connosco, e fortalecer o movimento popular. As mentes devem emancipar-se da estratégia dos monopólios e libertar-se de qualquer tipo de medo e derrotismo para a «via de sentido único da Europa e os compromissos com os EUA e a NATO.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O adversário não é todo-poderoso. Hoje não tem as mesmas armas que tinha no passado para gerir a crise. As discussões que se sucedem sobre a regulação nacional, regional ou global dos movimentos de capitais nos mercados financeiros não se realizaram, já que existe uma grande centralização e concentração sob as condições do mercado desregulado. É possível que uma crise simultânea atinja os países capitalistas mais poderosos, tal como é possível que uma crise chegue à Grécia antes de chegar às restantes economias balcânicas. Então, a ofensiva contra os povos ainda será pior. Devemos estar bem preparados.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O sistema político burguês, o capitalismo monopolista, isto é o imperialismo, perdeu há tempo qualquer oportunidade e capacidade que pudesse ter tido para fazer as concessões que levassem a uma melhoria relativa, por vezes absoluta, das condições de vida. Hoje em dia o sistema tornou-se mais reaccionário e bárbaro, e não mudará.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O mais que pode oferecer ao jovem desempregado ou à jovem desempregada é um trabalho temporal e mal pago num programa STAGE [programa de estágio] durante 5-9 meses, um emprego a tempo parcial com algum empreiteiro que, de facto, actua sem cumprir as leis que protegem a saúde e a segurança no trabalho, mas só depois de se assegurar que o(a) jovem se dobra e ajoelha mil vezes diante do chefe, do partido do parlamentar, do presidente da Câmara.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que pode oferecer a um jovem casal? A escravidão perante as hipotecas, os empréstimos pessoais e os empréstimos para férias. Ainda por cima serão aconselhados por bancários que lhes dirão que não peçam desnecessariamente. E depois terão de procurar trabalho numa empresa de segurança ou num jardim-de-infância e terão de escolher entre as altas tarefas da segurança pública e as ainda mais altas da segurança privada.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que pode oferecer à mulher do campo, que não se pode permitir cultivar o que quer que seja, por que ela e o marido foram expulsos da sua terra? Fazer marmelada num esforço para romper o embargo das grandes cadeias de supermercados, e o agricultor ter três trabalhos para tentar chegar ao fim do mês, enquanto ambos trabalham ocasionalmente nos grandes hotéis em condições espantosas, tentando juntar os 101 certificados necessários para solicitar o seguro de desemprego.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que pode oferecer ao pequeno comerciante, quando a parte do leão vai para as grandes cadeias de supermercados?</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que resposta pode dar à falta de infra-estruturas sociais? A política de «rentabilidade», isto é paga e volta a pagar se queres alguma coisa. Queres estradas onde não morram pessoas? Paga as portagens. Queres uma casa com protecção anti-sísmica? Paga altíssimos preços por metro quadrado. Queres praias limpas integradas na paisagem? Pois então admite que haja homens ricos que fiquem com elas, e depois te cobrem para lá entrares, para tomares duche e para teres uma cadeira.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que podem oferecer este sistema e os partidos no poder a um jovem que queira ter educação? Uma escola que esvazia os bolsos dos pais e as mentes da juventude. Um punhado de «soluções educativas alternativas» pelas quais se tem de pagar e que oferecem uma degradada formação professional aos modernos escravos laborais.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que podem oferecer ao povo trabalhador que quer desfrutar da sua reforma com tranquilidade e segurança? A possibilidade de obter alguns euros mais na sua pensão se trabalhar até aos 67 anos, e por que não até aos 71? A partir daí, uma vida difícil e solitária, ou uma vida sombria em armazéns para idosos que também custam dinheiro. Ou pode pedir aos serviços que lhe envie a casa, pelo menos um dia por semana, uma trabalhadora mal paga, ou mesmo não paga, através do programa de «ajuda doméstica».</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A classe burguesa e os partidos que a servem, a ND e o PASOK, aproveitaram-se e aproveitam-se do Quadro de Apoio Comunitário e dos seus Programas, principalmente através da experiência adquirida pelos partidos liberais e sociais-democratas, desbaratando dinheiro que foi produzido pelo trabalho duro, para reforçar e ampliar a aristocracia operária. Provocatoriamente subornam, distribuindo enormes quantidades de dinheiro. Premeiam os representantes das organizações sindicais e partidos políticos que colaboram ou aceitam colaborar. Mostram-se generosos para ONGs «fantasma», com o objectivo de criar um estrato de «adormecimento cómodo» que faça propaganda da submissão, com modernas consignas de esquerda e conservadoras. Distribuem generosamente dinheiro e privilégios a certos sectores das classes intermédias para organizar a aliança da classe burguesa e corroer consciências, com o objectivo de evitar a aliança das classes antimonopolistas.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O oportunismo é generosamente apoiado e ao mesmo tempo pressionado numa ou outra direcção de acordo com as necessidades do momento, isto é, nuns momentos como muleta do governo, noutras como barreira contra o KKE e o movimento operário. Quanto mais alto se ouvem os gritos de oposição de SYRIZA [1], mais óbvio se torna que a sua proposta não serve nem para uma dor de cabeça do povo trabalhador. As suas propostas são como um colete salva-vidas roto.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A classe burguesa e os seus dirigentes não hesitam, inclusivamente, em sacrificar os seus próprios quadros, que serviram o sistema durante anos, se for necessário afastar de si a raiva e o ressentimento do povo. Os escândalos continuam a surgir e continuarão a fazer tudo o que for necessário para cultivar a visão enganosa que se dois ladrões forem afastados, o poder dos monopólios pode tornar-se humano, social e favorável aos trabalhadores.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">O que pode o KKE oferecer ao povo?</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Em princípio, o que o povo trabalhador e a juventude sabem muito bem é que somos lutares constantes e firmes junto da classe operária, os trabalhadores independentes, os camponeses pobres, a juventude, as mulheres e os imigrantes. Informamo-los rapidamente, podemos ver, prever e avisamo-los.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não temos medo, podemos suportar as penúrias, não retrocedemos, não traímos e não ocultamos as nossas expectativas.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não enganamos ninguém dizendo que há soluções inteligentes sem luta popular, sem os sacrifícios do povo.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Identificamos social e politicamente a nossa proposta de alianças, baseada em forças objectivas e não em palavras de ordem, visões abstractas o auto-referências subjectivas.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A aliança que propomos baseia-se nos interesses comuns da classe operária, dos trabalhadores independentes e dos camponeses pobres. Entre estas forças sociais incluímos os imigrantes que trabalham no nosso país, estejam em situação legal ou não.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Essa aliança fazemo-la com programas específicos de acção, para a juventude e as mulheres que pertencem ou pertencerão futuramente a estas forças sociais.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Consolidamos e ampliamos esta aliança ao nível de aliança política. Hoje isto parece mais difícil, mas é um tema da correlação de forças. As correlações mudam com a vontade e a actividade das pessoas. Desde que as forças populares se afastarem do derrotismo e da influência da estratégia monopolista, chegarão as mudanças na configuração das forças políticas. Estas mudanças serão substantivas e não apenas formais, como já aconteceu no passado, quando a ND substituiu a ERE e o PASOK o partido Énosi Kentru. Sob o peso dos acontecimentos positivos no movimento e nas mentes das pessoas é possível que surjam novas formações políticas orientadas para romper com os monopólios, o imperialismo e a estratégia do capital. Aí, a nossa responsabilidade será responder. Está nas nossas mãos ajudar, mas não depende apenas de nós.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">A aliança baseia-se na oposição e na ruptura com os monopólios, e por isso no imperialismo e nos partidos que os servem. Não exigimos que se esteja de acordo com o socialismo ou que se identifiquem com a ideologia do KKE. No entanto, apreciamos que a perspectiva do movimento popular possa criar as bases comuns para que a aliança possa garantir uma mudança de direcção, uma via diferente de desenvolvimento numa direcção a favor dos trabalhadores, a favor do povo, sem os compromissos impostos pela UE e a NATO. Voltamos a dizer que não se pode servir a dois senhores: ou se serve o povo ou os monopólios.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Há pessoas bem intencionadas que perguntam se hoje, quando os problemas do povo trabalhador se agudizam mais e cada vez mais, quando nos sentimos num sufocante beco sem saída, se não seria bom que alguns partidos ou movimentos se pusessem de acordo em 3 ou 4 problemas básicos e deixassem o resto mais para a frente.</span></span></p>
<p><span style="font-size:14pt;color:#29303b;letter-spacing:.75pt;"><span style="font-family:Times New Roman;">Se os graves problemas de hoje não fossem mais do que 3 ou 4, ou mesmo 5 ou 6, então talvez não estivéssemos a falar de sufocantes becos sem saída. E, inclusivamente, se escolhêssemos arbitrariamente alguns problemas concretos, deixando de lado outros, seria possível que houvesse acordo, por exemplo com o PASOK ou SYRYZA? Não há problemas que não sejam produto de uma linha política geral que se vai definindo agora sobre todos os assuntos a nível nacional e a nível inter-estatal. Tem problemas a classe operária, têm problemas os trabalhadores independentes e os camponeses com pequenas e médias propriedades. Existem problemas relativos aos efeitos da concentração e centralização do capital, problemas decorrentes das privatizações, da desregulação do mercado, dos efeito