A independência de um partido comunista tem duas componentes essenciais.
A primeira, que foi historicamente determinante e prioritária, é a independência de classe, produto da libertação dos partidos operários da influência ideológica e política da burguesia.
A segunda, que se afirmou também geral e essencial no decurso do desenvolvimento do movimento comunista, é a soberania das decisões – formalizada em 1943 pela dissolução da Internacional Comunista.
A independência de classe é um traço essencial da independência, mas só por si não a garante.
Um partido que segue uma política de classe e uma orientação de classe, mas para isso tem de se apoiar na ajuda directa de outro ou outros partidos, por não ter alcançado a capacidade de decidir por si próprio da sua política, não é ainda realmente um partido independente.
A história do movimento comunista conheceu tais situações, que traduzem dificuldades iniciais de partidos de recente formação, atrasos no desenvolvimento e falta de maturidade.
A soberania de decisões é o outro traço essencial da independência, mas só por si tão-pouco a garante.
Um partido que decide com soberania, mas que não se liberta da dependência ideológica e política da burguesia, perde de facto a independência de classe, traço essencial da independência comunista.
A história do movimento comunista conhece exemplos em que a ostensiva proclamação da soberania de posições foi acompanhada pelo abandono de posições de classe essenciais.
Na situação existente actualmente no movimento comunista, a independência de classe e a soberania de decisões são componentes complementares e inseparáveis da independência de um partido comunista.